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A internet está tirando nosso foco?

Após o ginasta Diego Hypolito sofrer uma queda durante uma prova da fase de classificação da ginástica artística nos Jogos Olímpicos.


A internet está tirando nosso foco?

Após o ginasta Diego Hypolito sofrer uma queda durante uma prova da
fase de classificação da ginástica artística nos Jogos Olímpicos, uma
repórter de &39;O Globo&39; levantou a hipótese de o atleta não estar
concentrado o suficiente para a competição citando a alta assiduidade de
Diego nas redes sociais digitais como um fator de distração. Apesar de
acreditar que isso não o atrapalhou, Georgette Vidor, diretora de seleções
da ginástica brasileira, admitiu que o atleta está constantemente com seu
smartphone. "Ele não desgruda do aparelho telefônico", disse ao jornal.
Para Georgette, entretanto, o maior problema de Diego foram as lesões e
as cirurgias que o ginasta sofreu recentemente.
Seja qual for a razão da queda, o episódio traz à tona um questionamento,
que já vem sendo discutido por cientistas e médicos: o efeito negativo do
uso excessivo da internet e dos diversos aparelhos digitais, como
smartphones e tablets, e como isso pode interferir no foco das pessoas ao
realizarem suas tarefas, seja competir nas Olimpíadas ou se concentrar
para escrever um relatório no trabalho sem parar para checar as redes a
cada cinco segundos.
Segundo a psicóloga Carmen Lúcia Pinheiro, o que pode ter afetado a
atuação do atleta foi a alta expectativa em relação à prova. "A mesma
coisa pode acontecer com um adolescente frente a uma prova de
vestibular. Ele se prepara o ano inteiro, mas na hora do exame tem algum
bloqueio. Nessas horas devemos trabalhar o autocontrole, a respiração.
Qualquer pessoa pode passar por isso", explicou a psicopedagoga.
Em julho deste ano, uma edição da revista norte-americana &39;Newsweek&39;
publicou uma reportagem de capa levantando a possibilidade de ficarmos
"iCrazy" por navegar pela web de forma exagerada e que esse hábito
contemporâneo poderia acarretar em depressão e outros distúrbios
psiquiátricos. O texto aponta que, apesar de parecer normal estar
conectado oito horas por dia, seja por motivo de trabalho ou lazer, isso
não é necessariamente saudável para a vida social das pessoas. Carmen Pinheiro acredita que navegar na web não leve a esse tipo de
comportamento, mas faz com que o indivíduo diminua a importância dos
relacionamentos reais e passe a priorizar contatos virtuais. "A pessoa
passa a se isolar mais, é verdade. Entretanto, a internet é mais um veículo.
As pessoas que ficam deprimidas já estão predispostas a isso", explica.
Segundo a psicóloga, não é o caso de demonizar a internet, que também
possibilita a multiplicação de relacionamentos e favorece a criação de
novas amizades e encontros. "Tem esse lado positivo. Tudo vai depender
de como você utiliza o canal", ponderou.
Atualmente, nos Estados Unidos, o número de smartphones é maior que o
de celulares convencionais. Segundo a publicação, 30% dos adolescentes
da China e Taiwan são considerados viciados em navegar na web. De
acordo com pesquisa realizada pela Universidade de Stanford, um em
cada dez entrevistados alegou ser totalmente viciado em seus
smartphones, 33% acessam a web antes de levantar da cama e 94%
admitiram ter algum nível de compulsão.
Para Elias Aboujaoude, psiquiatra da Escola de Medicina de Stanford, onde
dirige estudos sobre distúrbios obsessivos-compulsivos, o meio virtual é
viciante. "Já vi vários casos de pacientes sem histórico de dependência de
substâncias tornarem-se viciados na internet e em outras tecnologias
digitais", respondeu à &39;Newsweek&39;.
Em estudo realizado em 2006 e que resultou no livro &39;Virtually You: The
Dangerous Powers of the E-Personality&39;, Aboujaoude descobriu que pelo
menos um em cada oito entrevistados apresentava hábitos questionáveis
em relação à web. "Há poucas dúvidas de que estamos nos tornando mais
impulsivos", disse lembrando que na última década aumentou em 66% o
número de pessoas que sofrem de transtorno do déficit de atenção com
hiperatividade.
Um retrato desse cenário é o surgimento de patologias como a
nomofobia, que é o medo de ficar sem o celular. O termo surgiu no Reino
Unido, onde a SecurEnvoy, empresa de soluções em segurança, realizou
estudo com cerca de 1000 britânicos. Os dados mostraram que 76% dos
jovens se sentem muito angustiados com a possibilidade de perder o
smartphone. Cerca de 40% dos entrevistados disseram que têm mais de
um aparelho. Para Carmen, muitas pessoas usam excessivamente o celular para estar
sempre em contato com amigos e familiares. "Infelizmente, certas pessoas
não conseguem ficar sozinhas consigo mesmas. Em casos extremos,
carregam até mais de um celular para não correr o risco de ficar
incomunicável. É uma forma de estar sempre conectadas a alguém, seja
um amigo ou parente."
Segundo a psicóloga, essa angústia de incomunicabilidade é uma
dependência, e com a facilidade das tecnologias os smartphones podem
acabar se tornando extensões do ser humano. "Muita gente hoje acessa a
internet para conferir as redes sociais antes de se levantar da cama."
Outro comportamento frequente é o observado em casais ou mesmo
grupo de pessoas em uma mesma mesa de restaurante checando seus
respectivos aparelhos. A psicóloga define essa situação de &39;solidão a dois&39;,
em que as pessoas estão ali apenas fisicamente. "Isso sempre existiu.
Muitas vezes, você percebe um casal quieto, sem conversar, cada um
olhando para um lado, em seus mundos particulares. Não há interação
real. Com o celular, a diferença é que eles podem não estar interagindo
entre si, porém com outras pessoas."   


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