Tecendo ideias

Educação ambiental para a sustentabilidade: um contrato com o futuro

“Precisamos de uma austeridade, esclarecida e voluntária, que promova uma prosperidade de baixo impacto ambiental...."


Educação ambiental para a sustentabilidade: um contrato com o futuro 

 

Autor: Francisco Teixeira - Diretor do Departamento de Promoção e Cidadania Ambiental.
Agência Portuguesa do Ambiente (Gazeta Valssassina – Porugal – Março 2013)
 

 

“Precisamos de uma austeridade, esclarecida e voluntária, que promova uma prosperidade de baixo impacto ambiental. Precisamos de uma nova mentalidade que deixe de olhar para a Natureza como objeto de domínio e conquista, antes vislumbrando nela a única habitação cósmica da humanidade passada, presente e futura." Viriato Soromenho-Marques, 2012

A objetividade da crise ambiental global não carecerá de mais páginas dos jornais para comprovar a libertina relação entre humanidade e natureza; a interdependência e solidariedade, evidentes e ausentes nas transformações que ocorrem à nossa volta, evocam e exigem uma reflexão sobre a forma como nos devemos relacionar com o Ambiente. O planeta sempre esteve em mudança, muito embora não com a escala, velocidade e influencia humana registradas na atualidade.

Se ainda somos capazes de refutar um mundo de futuro fechado, que espera panaceias tecnológicas e se prostra ao crescimento econômico contínuo, a demanda necessita concentrar-se na aquisição de (novos) valores e atitudes – a construção de um novo comportamento individual e coletivo – propósito humanista de cidadania e de sustentabilidade da Educação Ambiental. Porque o sentido da palavra ética deve apelar à construção de relações de partilha e comunidade, projeção primeira da própria condição humana. A RIO+20 - Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que reuniu (no ano passado) no Rio de Janeiro vinte anos depois da histórica conferência Rio-92, veio reafirmar que a educação é fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável, nomeadamente promovendo economias verdes e sociedades sustentáveis, para superar a desigualdade social e econômica e promover a solidariedade inter e intra-geracional, paz e estilos de vida responsáveis.

Do mesmo modo e também em 2012, a TBILISI+35 - Conferência Intergovernamental
sobre Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável veio asseverar que os objetivos traçados em 1977, na Geórgia, continuam de capital importância hoje. Uma hierarquização, em três níveis, das dimensões da Educação Ambiental, como expresso na Declaração de Tbilissi, patenteia uma intervenção de base sobre os domínios da sensibilidade, informação, competências e motivação (considerar, inscrever e conhecer conteúdos, usar meios afetivo-cognitivo-psicomotores, potenciar aprendizagem e ação) para que e em consequência, as dimensões consciência e atitudes (conhecer e irradiar
dinâmicas), de segundo nível, possam ser operadas, no grau de topo, a participação contínua, estádio de intervenção crítica, responsável e permanente.

Há aqui uma renovada proposta de atualização do paradigma da educação que ainda hoje deve ser objeto de atenta reflexão. Ainda que os primeiros exercícios associados à Educação Ambiental em Portugal se associem ao final dos anos 40 do passado século, com especial vigor nas décadas de 70 e 80, há, desde 1996, cooperante trabalho das tutelas de
Educação e Ambiente junto da população e das comunidades escolares, envolvendo as organizações não-governamentais e administração pública, local e desconcentrada, promovendo o reconhecimento da Educação Ambiental, garantindo apoios, participação em processos de tomada de decisão, acesso a informação e projetos internacionais ou disponibilizando formação e apoio técnico especializado.

Há, portanto, extenso patrimônio nacional (conceptual e de experiência) nos documentos estratégicos internacionais que estão na origem das políticas globais para a Educação para o Desenvolvimento Sustentável que é garante suficiente para o enquadramento das iniciativas presentes e futuras.

Numa perfeita prova de maturidade da dinâmica da Educação Ambiental continua a testemunhar-se uma crescente, ampla e diversa ação de empresas, universidades, municípios, comunidades transfronteiriças e organizações não-governamentais abrangendo, numa escala muito pródiga, a população nas questões do Desenvolvimento Sustentável.

O momento é tão diferente como mais exigente e a informação a que rapidamente se tem acesso permite a iniciativa dos cidadãos, também num associativismo informal e com base nas plataformas das redes sociais, por causas concretas e locais, ou por aquelas que nos afetam globalmente. O contexto da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentávle (2005-2014), proclamada pelas Nações Unidas e implementada pela UNESCO,
tem evidenciado um extraordinário leque de programas e ações, de iniciativa tanto pública como privada, destinados, quer a comunidades escolares ou profissionais específicas, quer à população em geral, testemunho e cooperação em que a Agência Portuguesa do Ambiente se tem ativamente envolvido.

Aos cidadãos depara-se o compromisso de aprender a refletir criticamente sobre o (seu) lugar no mundo, questionando o que é que a sustentabilidade significa para si e para as suas comunidades. Os alunos, em particular, já estão envolvidos nas questões ambientais, seja na experiência pessoal e compromisso emocional, seja na aprendizagem e investigação interdisciplinar e mesmo na necessária intervenção social.

A cidadania ativa e responsável que reclamamos pode e deve ser desenvolvida através da educação ambiental. Enquanto aprendizagem para uma forma de vida mais sustentável a educação ambiental assume urgência inquestionavelmente reconhecida; paradoxalmente, essa prioridade observa-se com mais complexidade na expressão quotidiana da nossa cidadania, pois parece que continuamos a ter relutância em entender os temas ambientais e suas potenciais resoluções de modo sensato e permanente.

Faltar-nos-á certamente um pensar criativo e uma boa vontade em construir sobre as ideias dos outros, à maneira de Matthew Lipman.
  


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